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Trocando Ideias

Rogério Luís da Rocha Seixas

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Processo Educacional

Educação e virtudes éticas

O ato de educar deve também priorizar o ethos (modos de ser) dos indivíduos e não apenas a capacidade de produzir e fazer

Colunistas  –  27/04/2021 17:19

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(Foto Ilustrativa)

Em toda a sua dimensão, a educação é a tarefa mais humana e humanizadora realizada

 

Dificilmente alguém discorda, segundo seu ponto de vista, sobre a importância da educação para a formação de excelência dos indivíduos e a constituição de um corpo social mais equilibrado ética e politicamente. Normalmente, muitas vezes a noção de educação, especialmente em nossa atualidade, se limita à perspectiva de se educar ou capacitar os educandos para o mercado. Indubitavelmente, uma faceta importante para o ato de educar. Ou destaca-se o seu papel na construção de cidadãos conscientes de sua participação no contexto social e político. Também não se menospreza essa função da educação. Contudo, gostaria de estender este tema, nesta troca de ideias, ao campo da educação e à sua ligação com a práxis ética dos sujeitos a serem educados.

Em toda a sua dimensão, a educação é a tarefa mais humana e humanizadora realizada. Desde tempos da antiguidade grega, passando pelo período medieval, atingindo seu clímax na modernidade com o ideal iluminista, a preocupação em se educar apresentou uma relação direta com a formação de humanos virtuosos, no sentido de aprenderem a agir eticamente visando o bem comum, a justiça, a prudência, o respeito, etc. Aqui, torna-se passível de citar a noção do ato de educar, apresentada pelo professor *José Carlos Libâneo: “Educar (em latim, educere) é conduzir de um estado a outro, modificando numa certa direção o que é suscetível de ser educado”. (Libâneo, 1985)

Descreve-se aí uma atividade e total interação entre os indivíduos a partir do ato de educar. Valores estão presentes nesta interação. Valores que confrontam o educando com o meio em que vive e desafia o educador a lidar com as valorações do educando. A ética se insere nesta interação diretamente, pois lidará com a formação do caractere (modo de ser e agir) do indivíduo a ser educado. Virtudes são colocadas no centro de tal processo educativo bastante ativo e concreto.   

*Fernando Savater destaca três virtudes importantes para o processo educacional. A coragem, pois sem coragem de viver frente as dificuldades e ameaças próprias de nossa condição não se pode viver e não se podendo assim ser ético. A generosidade, para convivência saudável uns com outros, limitando reciprocamente os nossos desejos. E, por último, prudência do indivíduo ao agir, buscando o bem sobreviver para consigo e para com os outros. (Savater, 2005)

Acrescentaria, a essas três virtudes a empatia para com outro, enquanto capacidade de se solidarizar mais com as necessidades, dificuldades e dores deste outro, estabelecendo maior solidariedade social. Assim, desperta-se o sentido ético da virtude da alteridade, respeitando-se as singularidades e propriedades existenciais do outro, rompendo com egoísmos e indiferenças que marcam as relações sociais. Vislumbra-se deste modo um ato de educar que deve também priorizar o ethos (modos de ser) dos indivíduos e não apenas a capacidade de produzir e fazer.

*Libâneo, José Carlos. Democratização da Escola Pública: a pedagogia crítico-social dos conteúdos. São Paulo. Ed. Loyola, 1985.

*Savater, Fernando. O Valor do Educar. Ed. Planeta, 2005. 

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