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Rofa Rogério Araújo

rofa.escritor@gmail.com

Febre Passageira

E todos desejam o morango do amor...

Esse tal desejo pode até mesmo ser visto como um comportamento que reflete uma tendência mais ampla de busca por validação social e pertencimento

Colunistas  –  27/08/2025 10:15

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(Foto: Reprodução/Internet)

Tudo que é algo meio forçado pelo coletivo parece ser patológico, doentio, causando certa ânsia de obter, conseguir, podendo ou não, pelo simples fato de não ficar para trás

 

Desde algumas semanas, o que se falou muito é de um tal de “morango do amor”. Mas o que realmente é esse famoso doce que viralizou nas redes sociais, tão desejado de ser degustado por todo o Brasil?

Ele se refere a uma guloseima que consiste em um morango envolto por brigadeiro branco e coberto com uma fina camada de caramelo vermelho. O doce remete à maçã do amor, tradicional de festas juninas, mas com a delicadeza e o simbolismo do morango. Até numa charge, esse tradicional doce de maçã reclama com do outro tomar o seu lugar, por ser tão parecido.

E por que se tornou tão popular? O sucesso do morango do amor pode ser atribuído a alguns fatores: atração visual, o doce é muito fotogênico, com seus núcleos vibrantes e brilho do caramelo; combinação de sabores e texturas, de morangos frescos com o doce do brigadeiro e a crocância do caramelo cria uma experiência gustativa interessante; a conexão com o romantismo, o morango, fruta associada ao amor e à sensualidade, torna o doce ainda mais atraente, especialmente para um público mais jovem; e facilidade de reprodução, apesar da aparência alterada, o morango do amor é relativamente fácil de fazer em casa, o que contribui para sua disseminação online; o apelo nostálgico, ele traz à memória a infância e as festas juninas, despertando sentimentos positivos nas pessoas. 

Fora a composição da receita desse doce, o que mais chama a atenção é um desejo desenfreado por degustá-lo, virando uma febre e pedidos por todos os confeiteiros, o estilo “Eu já provei. Você ainda não?”, como se fosse algo inovador e até que não. E mesmo com os memes de que o tal caramelo vermelho pode se tornar bem duro e até prejudicar ou quebrar os dentes, o que virou algo engraçado até por mostrar a arcada dentária quebrada ao saboreá-lo.

Como diz numa rápida pesquisa no Google: “A teoria do desejo do mimético, desenvolvida por René Girard, sugere que nossos desejos são frequentemente influenciados por outros. A popularidade do ‘morango do amor’ pode ser um exemplo de como o desejo de um indivíduo é moldado pela imitação do desejo dos outros”.

É importante notar que nem todos que consomem ou desejam o “morango do amor” são necessariamente movidos por esses fatores. No entanto, uma análise dessas características pode oferecer insights sobre como as dinâmicas sociais e a influência da mídia moldam nossos desejos e padrões de consumo. 

Esse tal “desejo pelo morango do amor” pode até mesmo ser visto como um comportamento que reflete uma tendência mais ampla de busca por validação social e pertencimento, especialmente em contextos online. Essa busca pode ser exacerbada por redes sociais e dinâmicas de grupo, onde o medo de ficar de fora leva as pessoas a aderirem a modas e tendências sem uma reflexão profunda sobre seus próprios desejos.

Assim, tudo que é algo meio forçado pelo coletivo parece ser patológico, doentio, causando certa ânsia de obter, conseguir, podendo ou não, pelo simples fato de não ficar para trás dos familiares colegas, e até mesmo dos “amigos virtuais” que nem próximos estão, tendo aquela febre de postar uma foto ou um vídeo degustando o doce, como se fosse um prêmio ou realização pessoal.

E fica a frase dita por Stuart Mill: “Aprendi a procurar a felicidade limitando os desejos, ao invés de tentar satisfazê-los”.

Um forte abraço o Rofa!   

 

Por Rofa Rogério Araújo  –  rofa.escritor@gmail.com

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