(Foto Ilustrativa)
“Não é só a morte que iguala a gente. O crime, a doença e a loucura também acabam com as diferenças que a gente inventa”.
(Lima Barreto)
Em sua obra “Triste Fim de Policarpo Quaresma”, Lima Barreto distingue o patriotismo genuíno da “patriotada” (fanatismo cego), através do protagonista, Major Quaresma. Enquanto este ama o Brasil de forma até mesmo ingênua e idealizada (o “melhor patriota”), o país real, político e aproveitador transforma seu amor em ridículo e, finalmente, em tragédia, rotulando-o de traidor.
O “melhor patriota” (idealismo): Policarpo Quaresma ama o Brasil de forma sincera, autodidata e sem interesse pessoal. Ele valoriza o solo, a cultura indígena (como a proposta do tupi-guarani) e a riqueza natural.
A chamada “patriotada” (ufanismo cego): é a exaltação exagerada que ignora os problemas reais, frequentemente usada por aproveitadores para se beneficiar, resultando na “traição” disfarçada de amor à pátria.
O desfecho crítico: Lima Barreto mostra que, na realidade política brasileira, a honestidade e o amor puro pelo país (o patriotismo) são tratados como “loucura”. Quaresma, após ser preso por criticar o governo, percebe que sua Pátria era uma ilusão.
E não é uma obra muito parecida com o visto na atualidade? A obra critica a corrupção e a mediocridade da elite política, temas que persistem e fazem de Lima Barreto um autor contemporâneo.
O livro sugere, portanto, que o patriotismo excessivo, sem consciência crítica, pode facilmente virar uma “patriotada” perigosa. Porque, afinal de contas, não adianta nada alardear ser um “verdadeiro patriota” se, na verdade, quer que tudo aconteça como deseja nem que isso represente uma afronta à democracia de seu próprio país, desde que sua vontade e suas prevaleçam, sem se preocupar em respeitar o que os outros pensam.
Isso é uma falsa “liberdade de expressão travestido num falso patriotismo. Fala-se da boca para fora, mas as atitudes são totalmente ao inverso do que se apregoa. Assim, o discurso fala mais alto que as atitudes reais.
É interessante observar o quanto uma obra literária, de um autor como Lima Barreto, que viveu de 1881 a 1922), pertencente ao final do século XIX e o início do século XX, nascido no final do Império, produziu a maior parte de sua obra durante a Primeira República (República Velha), sendo um cronista crítico das transformações sociais e do racismo no Rio de Janeiro desse período e que não ficou preso a esse tempo, mas sendo atemporal e que extrapola sua época e mais parece feita para os nossos dias.
Como tempos visto a “patriotismo” sendo espancado e ridicularizo em atitudes daqueles que não são nada disso, mas revertem a situação para seu bel-prazer como se somente o que achasse e defendesse fosse válido e real.
E como a “patriotada” tem dominado as atitudes de brasileiros que mais parecem defender intervenção de outros países para facilitar o que ele quer implantar em sua nação que somente serve se for como ele a deseja.
Algumas frases atribuídas a Lima Barreto, a maioria delas sob a égide de um dos personagens de suas obras, dizem bastante sobre o mundo vivenciado por ele, mas, também, sobre o nosso atual: “O Brasil não tem povo, tem público”, destacando sua visão crítica sobre a apatia social e a reflexão sobre a desigualdade.
Em outra bem reflexiva, diz: “Não é só a morte que iguala a gente. O crime, a doença e a loucura também acabam com as diferenças que a gente inventa”. Que profundidade para aqueles defensores de um ego inflado que se acha melhor que outros.
Que possamos agir, perceber à nossa volta, quem age como um verdadeiro patriota e quem age mais como “patriotada”, desvirtuando seu sentido e transformando o que deveria ser um “amor pela Pátria” numa patologia a ser tratada ou não ter mais jeito e minar e muito o que um país precisa para ter ordem e progresso.
Um forte abraço do Rofa!
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