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Rofa Rogério Araújo

rofa.escritor@gmail.com

Exclusão Social

Minha época é agora

Combater o etarismo envolve desconstruir a ideia de que envelhecer é sinônimo de incapacidade, retardando a experiência, seja por excesso ou pela sua falta

Colunistas  –  12/05/2026 10:39

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(Foto Ilustrativa)

O significado de etarismo é o preconceito, estereótipo e discriminação contra pessoas com base na idade, afetando principalmente idosos

 

Dia desses, assistindo aos vídeos que surgem nas redes sociais, uma mãe perguntou à filha se determinada música era de sua época. A mãe vira para a filha e diz: “Como assim, filha? Essa música é de minha época, que é agora”!

Essa declaração me fez pensar no quanto, às vezes, parecemos presos a um determinado período de nossa vida, como se fizesse parte de um passado que não volta mais ou está distante do presente. Só que nem sempre é assim que funciona na prática ou pelo menos não deveria.

Muito disso acontece na atualidade, devido a algo chamado “etarismo”. O seu significado é o preconceito, estereótipo e discriminação contra pessoas com base na idade, afetando principalmente idosos, mas também jovens. Manifesta-se no mercado de trabalho, ambiente familiar e de saúde, desvalorizando capacidades e limitando oportunidades. Combater o etarismo envolve desconstruir a ideia de que envelhecer é sinônimo de incapacidade, retardando a experiência, seja por excesso ou pela sua falta.

Isso está tão presente que se diz que os mais velhos não sabem lidar com a atual tecnologia e os obrigam a se atualizar de tal forma que não os deixam nem aprender, já que computadores, caixa eletrônico e atendimento presencial praticamente deixaram de existir, não se importando se alguém não sabe lidar ou terá dificuldade com isso.

É uma discriminação em tal nível que chega a ficar chato. Todos estão sendo tratados como excluídos, se não estão na vibe (essa é uma gíria derivada do inglês vibração, significando a atmosfera, energia ou sintonia de um lugar, pessoa ou situação). Até nos termos que mudam com o tempo é um problema de entendimento.

Frases do tipo: “Isso não é roupa para a sua idade”, “Essa idade você já não tem mais tempo para aprender isso” e “Você não acha que é velho demais para [fazer tal coisa]”? É algo terrível e constrangedor, que certamente deveria ser evitado.

E piores são quando se diz algo disfarçado de elogio, só que não são: “Você nem parece velho”, “Para sua idade, você está muito bem”, “Nossa, que memória boa, nem parece que tem [X] anos” ou “Você é muito ativo para a sua idade”. Parece, mas não é bem assim o que se diz.

E quando as frases parecem mais infantilizar? Como, por exemplo, “Vou falar mais devagar para você entender”, “Não se preocupe com isso, deixa que eu resolvo por você” ou “Tão fofinho, parece um vovô/vovó”. É tratar aqueles que têm mais idade como crianças, mesmo que pelo andar da vida podem até ter atitudes um tanto ou quando de crianças, mas nem por isso devem ser tratados como tal.

E as mesmas atitudes dos mais jovens hoje podem mudar amanhã, quando terão idade mais avançada e podem sofrer da mesma forma o preconceito do etarismo. “O mundo gira”, como diria uma famosa frase popular, bem verdadeira.

Então, os que hoje discriminam, podem ser discriminados amanhã e assim vai. Tudo muda de uma época para outra. Parece que muitos esquecem disso.

Por isso, mais do que nunca, é preciso reconhecer que o melhor tempo que vivemos é o atual. Assim, a minha e a sua época é agora!

Um forte abraço do Rofa!  

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Por Rofa Rogério Araújo  –  rofa.escritor@gmail.com

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