(Foto Ilustrativa)
O falso patriotismo usa o afeto à Pátria como uma armadura para evitar críticas, atacar instituições ou obter vantagens
Em “Triste Fim de Policarpo Quaresma”, o grande autor Lima Barreto distingue o patriotismo genuíno da “patriotada” (fanatismo cego), através do protagonista, Major Quaresma. Enquanto Quaresma ama o Brasil de forma ingênua e idealizada (o “melhor patriota”), o país real, político e aproveitador transforma seu amor em ridículo e, finalmente, em tragédia, rotulando-o de traidor.
O “melhor patriota” (Idealismo): Policarpo Quaresma ama o Brasil de forma sincera, autodidata e sem interesse pessoal. Ele valoriza o solo, a cultura indígena (como a proposta do idioma tupi-guarani a ser adorado no Brasil) e a riqueza natural.
A “patriotada” (ufanismo cego): é a exaltação exagerada que ignora os problemas reais, frequentemente usada por aproveitadores para se beneficiar, resultando na “traição” disfarçada de amor à pátria.
Já o “patriotismo” trata-se de uma afeição cívica voltada ao bem-estar da sociedade e à convivência harmoniosa. O patriotismo é o sentimento de amor, orgulho e devoção à pátria, que se manifesta no respeito à sua cultura, à sua história e aos seus símbolos fundamentais, como a bandeira e o hino nacional.
No desfecho crítico, da citada história do livro, Lima Barreto mostra que, na realidade política brasileira, a honestidade e o amor puro pelo país (o patriotismo) são tratados como loucura. Quaresma, após ser preso por criticar o governo, percebe que “sua Pátria” era uma ilusão.
Existe uma espécie de “patriotismo reflexivo” que associa o amor ao país ao desejo constante de melhoria cívica, ética e social, aceitando críticas construtivas para corrigir os problemas da nação.
O livro sugere, portanto, que o patriotismo excessivo, sem consciência crítica, pode facilmente virar uma “patriotada” perigosa. Não é possível bater no peito como sendo um “verdadeiro patriota” sem que ame o país e não permita que nenhuma outra nação faça nada que ameace a soberania nacional.
O “falso patriotismo” é o uso de símbolos nacionais, como bandeiras e hinos, apenas para esconder interesses pessoais, políticos ou econômicos. Ele divide a sociedade em grupos e prioriza privilégios próprios em vez do bem-estar real do país.
Algumas ações que distinguem o falso do verdadeiro “patriotismo”: separar pessoas entre “bons cidadãos’ e “inimigos da pátria”, simplesmente por taxar como “patriotas” por algumas marcas e não todas, muito tendenciosamente; discurso vazio, falando muito em amor ao país, mas apoiar ações que prejudicam a economia ou o povo; e interesse próprio acima de tudo, defendendo grupos ou privilégios particulares enquanto finge defender a nação inteira.
A diferença entre os dois tipos de patriotismo: verdadeiro patriotismo busca resolver os problemas reais do país, respeita as leis, cuida das pessoas e protege os direitos de todos; enquanto o falso patriotismo usa o afeto à Pátria como uma armadura para evitar críticas, atacar instituições ou obter vantagens.
Fazendo uma ponte com a atualidade, a obra do citado autor critica a corrupção e a mediocridade da elite política, temas que persistem até os dias de hoje e fazem de Lima Barreto um autor contemporâneo. E qualquer semelhança não é mera coincidência.
Um forte abraço do Rofa!
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