(Foto Ilustrativa)
Cada ser humano possui a sua própria essência; são seres irrepetíveis, únicos; não pode um achar que vai copiar o outro e se dar melhor na vida
A relação entre a essência e a aparência é um dos temas mais recorrentes nas palestras, livros e crônicas do historiador e pensador da atualidade, Leandro Karnal. Inspirado por clássicos da literatura e da filosofia, ele frequentemente aborda essa dualidade para criticar a sociedade contemporânea, fortemente marcada pela superficialidade das redes sociais.
Alguns dos principais pontos e reflexões que resumem o pensamento do autor sobre o tema são bem pertinentes a serem levados em conta:
. A metáfora da casca de noz (Hamlet) - O mundo nos julga pela casca. Karnal recorre frequentemente à obra “Hamlet”, de Shakespeare, para explicar que o ser humano vive isolado em sua própria consciência - como dentro de uma casca de noz. Na peça de William Shakespeare, no Ato II, Cena II, o príncipe da Dinamarca pronuncia uma das frases mais célebres e profundas do teatro ocidental: “Oh Deus! Eu poderia viver recluso numa casca de noz e me considerar rei do espaço infinito, não fossem os meus maus sonhos”.
. A ilusão da visibilidade - O mundo exterior jamais conseguirá enxergar o que está verdadeiramente dentro de nós. Como a sociedade só enxerga as “cascas alheias”, ela tende a medir e validar as pessoas estritamente pela aparência, que é sempre passageira.
No sentido das chamadas “máscaras e o espetáculo digital”, o pensador contemporâneo reflete que as redes sociais são como “vitrines”. Karnal aponta que o mundo atual é dominado pela obsessão pela exposição pública. Na internet, as pessoas constroem personagens artificiais, projetando uma felicidade e um sucesso que muitas vezes não possuem, apenas para colher likes e evitar o cancelamento.
Quanto à aparência de saber, em debates recentes sobre tecnologia, ele questiona se ferramentas como a Inteligência Artificial (IA) não se tornaram uma espécie de “maquiagem intelectual”, ou seja, um recurso que dá uma aparência de erudição e brilho superficial sem que haja, de fato, um esforço crítico ou reflexão profunda por trás.
A esse aspecto soma-se as roupas e o erro de impressionar. O historiador também usa exemplos práticos do cotidiano, afirmando que usar roupas ou bens materiais puramente para impressionar os outros é um erro crônico. O valor real reside naquilo que sustenta o indivíduo por dentro, e não no esforço de parecer algo que não se é.
Assim, mas parece uma verdadeira inexistência de uma “essência pura”, sendo que ninguém é totalmente transparente, mesmo que valorize e busque o que é autêntico. A esse pensamento Karnal adota uma postura filosófica cética sobre haver uma essência fixa e imutável no ser humano.
Há uma construção contínua. Em debates no projeto “Fronteiras do Pensamento”, ele declarou não acreditar na total transparência do olhar sobre si ou sobre o outro. Para ele, não somos “permanentemente algo”, mas, sim, seres em constante transformação e adaptação.
Cada ser humano possui a sua própria essência. São seres irrepetíveis, únicos. Não pode um achar que vai copiar o outro e se dar melhor na vida, pois pode realizar o que não sabe e acabar não conseguindo desenvolver o que não “é a sua praia”.
Ao invés de buscarmos, portanto, uma aparência do que não somos para agradar o outro e não ser “cancelado” como as redes sociais fazem, é melhor olhar para dentro de si mesmo, descobrindo a sua verdadeira essência. Essa, sim, proporcionará um progresso na vida, caminhando rumo ao sucesso real. O resto será apenas uma “casca de noz”, como a peça “Hamlet”, de Shakespeare.
Um forte abraço do Rofa!
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