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Rofa Rogério Araújo

rofa.escritor@gmail.com

Metáfora

Caderno velho solta folhas

Quantos não fazem absolutamente nada pelo outro e, sim, somente para si mesmos?

Colunistas  –  06/10/2026 11:26

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(Foto Ilustrativa)

Quando nos depararmos com alguém necessitado, que precisa de uma ajuda que está, sim, ao nosso alcance, não nos trará prejuízo e nem nos fará mais pobres ou ricos por um gesto social

 

Esses dias assisti pelas redes sociais um vídeo desses que inspira e deixa uma boa reflexão para nossa vida.

Nele, um neto conta que sua avó tinha um comércio como as antigas vendas e notava que tinha um antigo livro de dívidas dos clientes do chamado “fiado” para pagamento quando recebesse. E ao ser questionado pelo neto ela sempre dizia “Caderno velho solta folhas” e ele nunca entendeu o que isso significava.

Passados alguns anos e esse neto já era jovem, a avó faleceu. No velório notou um número de pessoas muito grande além de todos os familiares. Um senhor, logo chegou e revelou que minha avó o ajudou quando não tinha condições de comprar alimentos para dentro de casa e precisava anotar no caderninho suas dívidas. E quando recebeu e foi quitar, ela procurou no caderno velho, surrado, não encontrando as anotações, afirmando que não devia nada. E respondeu: “Caderno velho solta folhas”.

E, durante todo o funeral, notou que mais e mais casos semelhantes surgiam, sempre com essa frase dita pela avó e a gratidão dos clientes que ela tanto ajudou com sua prestabilidade, empatia e desprendimento material.

Essa história nos leva à reflexão e como muitos são materialistas, gananciosos e egoístas. Pessoas passam por dificuldades e quem pode ajudar, muitas vezes, não ajudam porque não querem dispor de parte de seus lucros, em prol do outro, por nada nesse mundo.  

Em minha casa, sempre bate à porta um senhor que tem sua família em dificuldade e mora numa comunidade e pede, não dinheiro, mas alimento e roupas usadas para o ajudar. Sempre damos um quilo de algum alimento ou o que vestir em bom estado. E o que isso nos custa? Muito pouco e não nos fará mais pobres ou não passaremos por falta de nada por esse gesto. E conto isso, não para me gabar ou dizer que sou melhor que ninguém por fazer isso, mas apenas como um exemplo pertinente ao proposto nesta crônica.

Como seria bom se todos os brasileiros pudessem olhar mais ao seu redor e ter atitudes com os seus próximos que ali estão e necessitam de atenção e cuidado em determinado momento. É claro que até mesmo existem os espertalhões ou os acomodados que vivem como pedintes e não querem sair dessa posição. Mas, ao mesmo tempo, o problema não será nosso se eles não saírem do lugar e nossa parte terá sido feita.

Como diz um termo popular, “Se cada um fizer a sua parte, o mundo será melhor”. Quantos não fazem absolutamente nada pelo outro e, sim, somente para si mesmos? Não estão nem aí pelo sofrimento alheio, se sua vida vai muito bem. Alguns agem assim até com familiares, que dirá com desconhecidos.

Assim, a frase que dá título à esta crônica, “Caderno velho solta folhas” funciona como uma metáfora popular sobre uma trajetória de vida acumulada ao longo dos anos e as folhas soltas simbolizam o “esquecimento”, o desprendimento de partes da própria história no que diz respeito à vida humana ser mais importante do que dívidas pessoais ou comerciais que até trariam mais lucro, mas ao custo de sobrevivência e seres humanos que poderiam até mesmo passar fome e não até perderem a vida por não conseguirem, sozinhos, passar pelas dificuldades que a vida apresenta.

Então, quando nos depararmos com alguém necessitado, que precisa de uma ajuda que está, sim, ao nosso alcance, não nos trará prejuízo e nem nos fará mais pobres ou ricos por um gesto social. E, muitas vezes, ao ser procurado por quem nos ajudou para resolver uma situação financeira, que tal responder como aquela senhora da história aqui contada: “Caderno velho solta folhas”?

Um forte abraço do Rofa! 

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Por Rofa Rogério Araújo  –  rofa.escritor@gmail.com

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