(Foto Ilustrativa)
O que observo muito é uma espécie de “escravidão moderna”, onde é exigido muito por tão pouco que é pago
Em tempos de muita discussão saudável (ou não) sobre redução do trabalho em prol de mais tempo para curtir a vida, a família e até mesmo usufruir o que se ganha com o fruto do suor dos momentos trabalhados.
Um ditado popular, diz: “O trabalho dignifica o homem”, associado ao senso comum, à ética protestante descrita por pensadores como Max Weber e a figuras históricas como Benjamin Franklin. E tem tudo a ver com o trabalhar para ganhar o sustento e viver do que se produz ou do período dedicado com esse propósito.
Um versículo bíblico acerca do tema, diz em Provérbios 12.14: “Do fruto de sua boca o homem se beneficia, e o trabalho de suas mãos será recompensado”. Fala de como o ser humano deve ser reconhecido dignamente pela dedicação a uma atividade com fins de seu sustento.
O que observo muito é uma espécie de “escravidão moderna”, onde é exigido muito por tão pouco que é pago. A pessoa se mata e não consegue nem viver dignamente com o fruto do que produz, devido a tão pouco recebido.
Quantos empresários que temos notícia que vivem para trabalhar pensando no futuro e até na família, mas não conseguem tirar tempo para utilizar o fruto que produziram, e alguns acabam adoecendo, morrendo, de tanto que trabalham sem pensar nem no presente, não chegando a um futuro almejado.
Voltaire, pensador sarcástico do Iluminismo, disse: “O trabalho poupa-nos de três grandes males: tédio, vício e necessidade”. Como deve ser difícil ser desempregado e até desalentado, não podendo se sustentar nem ter ocupação na vida.
O famoso cantor dos Beatles, John Lennon, afirmou: “O trabalho não justifica a existência. A gente trabalha para existir e vice-versa”. Tudo é possível e preciso, mas não podemos é matar ou morrer de tanto esforço e de viver por isso.
Um provérbio iugoslavo, diz: “Um bom descanso é metade do trabalho”. Afirma o que temos dito até aqui: descanso também faz parte da vida e não apenas trabalhar, trabalhar e trabalhar, deixando de parar para lembrar que também existe vida.
Simone de Beauvoir, escritora, em “Segundo Sexo: A Experiência Vivida”, disse: “É pelo trabalho que a mulher vem diminuindo a distância que a separava do homem, somente o trabalho poderá garantir-lhe uma independência concreta”. Naqueles tempos em que a mulher buscava fazer o que somente o homem fazia, buscando igualdade de condições e de poder se sustentar sem depender dele, apesar de que o sexo masculino e feminino é completamente diferente em diversos aspectos.
Aristóteles, um dos mais importantes filósofos gregos, afirmou: “O prazer no trabalho aperfeiçoa a obra”. Como é bom poder trabalhar naquilo que se escolheu, estudou e se preparou durante boa parte da vida, e não apenas caiu de paraquedas num trabalho por falta de opção ou por pura necessidade.
Dessa forma, a pergunta do título “Viver para trabalhar ou trabalhar para viver?” é respondida da pior forma possível. Tudo precisa ser equilibrado, pois se é necessário “trabalhar para viver”, mas o que não dá é para “viver para trabalhar” de maneira que nem se vive de verdade.
Um forte abraço do Rofa!
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