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Priscila Modesto

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Beleza Não Tem Padrão

Feitos de duas cores (2)

Musa inspiradora, a modelo Nicole Scovino transformou sua experiência de vida com o vitiligo universal em ensinamento

Colunistas  –  24/03/2020 23:12

 

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(Fotos: Divulgação)

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“Não tem recompensa maior do que poder ser útil, impactar e alcançar de forma saudável quem está à nossa volta”

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> Feitos de duas cores (1): Relato da modelo Adriana Benedito

Na matéria anterior falamos sobre a história da modelo Adriana Benedito, que é portadora de vitiligo, mas após enfrentar inúmeras coisas não se deixou abater e transformou sua experiência num ensinamento incrível. Hoje, como modelo, representa bem a beleza e suas versatilidades. Na segunda parte da matéria, continuaremos com o enfoque no vitiligo, porém abordando o vitiligo universal, tema, também, não muito pautado. A história da modelo Nicole Scovino com o vitiligo iniciou aos 5 anos de idade. Hoje com 31, dá um show de inspiração e modela lindamente, mostrando que a beleza e a moda não são somente para os considerados “padrões”. É pra quem mostra para o que veio e faz bonito. Acompanhe mais uma história emocionante e cheia de beleza. 

Vamos ao relato

Quando tinha 5 anos, o vitiligo surgiu em minha vida, era muito novinha para entender. Fui criada sem a necessidade de esconder minhas manchinhas. Passei boa parte da minha vida convivendo com o vitiligo sem tentar mascará-lo, por isso nunca tentei ou quis escondê-lo. Sofri muito preconceito, principalmente na rua, mas sempre fui uma criança feliz, muito extrovertida e rodeada de amigos. Ia à praia, piscina, não tinha vergonha de mostrar minhas manchinhas. Vivia uma vida normal. 

Dos 15 aos 18 anos encanei um pouco com minhas pernas, que eram brancas, dos pés até o joelho. Nesta fase começaram as paqueras e a conhecer meu corpo. Por isso eu tentava usar calças, vestidos longos. Mas depois percebi que estava perdendo tempo de vida, que tudo isso era bobagem e parei. Fiz alguns tratamentos, mas todos em vão. Aos 19 anos, tomei a decisão de não fazer mais tratamento. Nesse momento eu decidi viver e não mais sofrer e correr atrás de algo que não funcionava, entendi que era uma luta contra a natureza do meu corpo.  

Aceitar o vitiligo como uma característica minha foi libertador, e aí a despigmentação total foi acontecendo no seu ritmo sem interferência. Ficar presa em viver de tratamento não era pra mim. O vitiligo foi tomando conta do meu corpo, e aos 24 anos já estava toda branca. Minha pele, hoje toda branca, acaba sendo mais sensível. Não posso me expor ao sol nem a mormaço, pois ela queima e arde muito rapidamente. Preciso me proteger ao máximo com protetores solares de fator 70. Evito ir à praia e a lugares abertos. 

As limitações que possuo são praticamente relacionadas à exposição solar. Atividades corriqueiras para a maioria das pessoas têm que ser bem planejadas para não trazer consequências. Minha vida de ir e vir, agora com o corpo todo branco, se limitou mais do que quando ainda possuía manchas. Antigamente eu ia à praia, passeava ao ar livre, parques, clubes. Como parte do corpo ainda possuía melanina, havia proteção. Hoje 100% eu não posso fazer mais essas atividades, minha pele fica muito sensível aos raios do sol. 

Esteticamente falando, hoje não sofro tanto preconceito em relação à época que era manchada, mas ainda existe. Muitas vezes sou olhada com espanto por ser tão branca. Já ouvi cochichos, como: "Essa aí não pega sol". Quando ando em locais públicos chamo atenção principalmente por viver em uma cidade tão praiana. Porém, tenho que admitir que o preconceito com as manchas eram diários e doloridos emocionalmente. 

Mesmo com algumas situações que hoje são insignificantes, vivo minha vida de forma tranquila, sabendo que sou especial por poder passar para muitos uma experiência e servir de exemplo para ajudar as demais pessoas que precisam de apoio. Não tem recompensa maior do que poder ser útil, impactar e alcançar de forma saudável quem está à nossa volta.

O que é vitiligo universal

O vitiligo universal, que é muito raro, acomete mais de 70% do corpo, deixando a pessoa até com 100% do corpo branco. O vitiligo universal ocorre naturalmente, em alguns casos, provocado por medicamentos para acelerar o processo de despigmentação da pele. Muitas pessoas preferem fazer isso, ficando com a pele totalmente branca, de uma vez. A pessoa que é portadora do vitiligo universal tem menos proteção que os demais portadores de outros tipos de vitiligo, por serem totalmente sem melanina, por isso são mais sensíveis ao sol.

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Por Priscila Modesto  –  priscilamodestocontatos@gmail.com

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